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Homilia do XXVI EMA
"São Marcos é o dia de Hoje. Nós hoje na Igreja
celebramos um dia de um santo. Não é por isso que é feriado. Desta vez não é
feriado por ser dia de São Marcos, é por outras razões. Mas não é por causa
de ser o dia que é feriado, que o sacerdote usa os paramentos de cor
vermelha. É por causa de São Marcos.
São Marcos é evangelista, discípulo de Jesus e dá a sua
vida por Jesus. Derrama o seu sangue por Jesus e o vermelho é a cor deste
sangue derramado.
Se vos lembrardes, na liturgia acontece muitas vezes
isto. Mudança de cores, mudança de paramentos, mudança de coisas, porque
todas elas nos mostram de uma forma física, de uma forma muito visual, de
uma forma plástica, aquilo que celebramos na nossa vida.
E aquilo que Jesus diz a Marcos, como diz aos outros
discípulos, é ide. Ponde aquilo que aprendeste comigo de uma forma visível a
todos os homens. Ide, baptizai-os. Convertei o coração de cada um. Convertei
o coração de cada homem e de cada mulher. Mas para isso é necessário que o
vosso coração também seja um coração entregue, disponível.
E eu, que estou vestido com a casula vermelha do
sangue, por baixo tenho a mesma veste que cada um de vós traz. A alva. E a
razão de eu ter a alva, é a mesma razão porque cada um de vós também está
vestido de alva. É que recebemos o mesmo baptismo.
Eu só não trago a veste do baptismo, com que eu fui
baptizado, porque já não caibo nela. Quando tinha um mês de nove dias, tinha
um tamanho que agora já não tenho e por isso agora visto outra. Outra túnica
de baptismo, outra veste de baptismo. Mas é sempre a veste do baptismo. Por
isso é que é branca. Sinal da Pureza, sinal da Santidade que Deus nos dá
pelo baptismo.
Nós acólitos somos isso mesmo. Somos a presença de toda
a comunidade, diante do altar, com a veste branca.
Todos os cristãos podiam usar a veste branca. A túnica.
Porque também eles são baptizados. Nós vestimo-la para nos aproximar do
altar duma forma especial. Para o servir. Porque dispomos da nossa vida. E
nós muitas vezes fazemos essa experiências de dispor da nossa vida para
servir o altar. Porque nos apetecia fazer outras coisas e, no entanto, o Sr.
Prior precisa de nós para aquela celebração. E eu se calhar já fui à missa
nesse domingo. Por isso para o preceito já não preciso de lá ir mais. Mas eu
entrego a minha vida ao serviço de Jesus através do serviço do altar.
Mesmo levando as galhetas. Mesmo levando uma coisa
simples, fazendo uma coisa simples, mesmo não fazendo nada, assim visível
dentro da celebração. Cada um de nós, cada acólito tem uma missão muito
importante na celebração. É sempre uma forma especial e visível da presença
de todos os baptizados no altar. Todos os outros podiam ir para o altar, mas
na sua túnica, transporta as túnicas de todos os baptizados.
E mais ainda. O serviço do acólito não termina no fim
da missa. Isto é, não é só depois de apagarmos todas as velas, de arrumarmos
todas as alfaias litúrgicas nos armários e de deixarmos a sacristia toda
arrumadinha, não é aí que termina o serviço do acólito. Posso vos dizer
mais. O serviço do acólito não termina. Nunca tem fim.
Por causa desta palavra que escutámos. Ide. Ide levar
tudo aquilo que viveste. Servistes o altar, escutaste a palavra de Deus,
serviste o altar, celebrastes a Eucaristia. Levai isso aos outros. Levai
esse Jesus que aqui ouvistes e celebraste aos vossos colegas. E levai-O
como? Servindo-O também. Nas vossas casas, nas vossas famílias, nos vossos
colegas, nos vossos trabalhos, com os vossos amigos. Servi-O a Jesus também
neles. E se assumirdes isto duma forma séria, e é importante que o assumam,
se assumirdes isto duma forma séria, percebeis que Deus vos chama, rapazes e
raparigas, a servi-Lo de uma outra forma mais empenhada, como religioso ou
religiosa, como sacerdote.
É importante não terdes medo de vos entregar a Jesus.
Como em cada celebração vos entregais a Jesus no altar. É importante não
terdes medo de Deus e daquilo que Ele nos pede. E é importante não termos
medo de escutar o nosso coração. É de quem mais fugimos. É de nós próprios.
Não é dos nossos amigos ou dos nossos colegas que nos andam a gozar ás vezes
lá na escola. É de nós próprios. Quando ás vezes nós sentimos que queremos
uma coisa, que queremos essa coisa mas temos medo. Temos medo de dizer que
sim a isso. E isso é Jesus.
Não tenham medo de outra coisa, que também nos falava a
leitura e aquele que serve o altar. Aquele que serve Deus na sua vida, no
seu dia a dia, muitas vezes é tentado, e também nós. Muitas vezes a nossa
alva, a nossa túnica não está tão branca como devia, não está tão bem
passada a ferro como devia. E ás vezes quando a vestimos, bem, de alva tem
pouco, mas mais ou menos passamos sempre por cima.
Ás vezes isso é prático, mas lá tem de vir o prior ou o
responsável da associação ou do grupo dizer: "Meninos, não se esqueçam de
lavar as túnicas e tal tal e tal..."
Por uma razão, porque a túnica que cada um de nós traz
vestida é o espelho do nosso coração. Se calhar se a nossa túnica anda suja,
como é que estará o nosso coração? Se a nossa túnica está amarrotada, como é
que estará o nosso coração? Se a nossa túnica é vestida assim de qualquer
forma, como é que está o nosso serviço a Deus? E o nosso amor a Deus? Como é
que nós encaramos isso?
E sempre que vestimos a nossa túnica, nunca mas nunca
nos esqueçamos disto, estou a vestir esta roupa que é diferente, não é
aquela com que ando todos os dias, mas é sinal que o meu coração está aqui
dentro todos os dias. Vou para o altar servir Jesus, que não é coisa que eu
faço se calhar todos os dias, mas é sinal daquilo que eu faço na minha casa,
com os meus amigos, na minha escola, no meu trabalho, todos os dias. Servir
Jesus.
E quando eu regresso, quando tiro a minha túnica,
quando acabo o meu serviço no altar, eu sei que não acabo, mas continua. E
se continuar de forma que muitas vezes exprimimos esta dor do santo, isto é,
soframos por causa disto, nunca nos esqueçamos, houve muitos homens e muitas
mulheres que o fizeram. Também nós o podemos fazer.
Que as nossas túnicas estejam sempre brancas, mas que o
nosso coração tenha sempre esta entrega total a Jesus"
Missa de Encerramento do XXVI
EMA, Santo Eugénio, 25 de Abril de 2006
(transcrito do DVD do XXVI
EMA)

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