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BEATO FRANCISCO MARTO
Francisco Marto nasceu em
Aljustrel em 11 de Junho de 1908. Foi um dos três pastorinhos
que viram Nossa Senhora na Cova da Iria, de 13 de Maio até 13
de Outubro de 1917. Filho mais novo de Olímpia e Manuel Marto,
Francisco era uma criança típica do Portugal rural da época.
Não frequentou a escola, e trabalhou como pastor em conjunto
com a sua irmã Jacinta e sua prima Lúcia. De acordo com as
memórias de Lúcia, Francisco era um rapaz muito calmo, gostava
de música, e muito independente nas opiniões. Na sequência das
aparições, o comportamento dos dois irmãos alterou-se.
Francisco preferia rezar sozinho, como dizia “para consolar
Jesus pelos pecados do mundo".
As três crianças, mas particularmente
Francisco, praticaram mortificações e penitências. É possível
que prolongados jejuns os tenham enfraquecido a ponto de
Francisco ter sucumbido à epidemia do vírus influenza que
varreu a Europa em 1918. Francisco faleceu santamente no dia 4
de Abril de 1919, na casa de seus pais. Muito sensível e
contemplativo, orientou toda a sua oração e penitência para
“consolar a Nosso Senhor”. Os seus restos mortais ficaram
sepultados no cemitério paroquial até ao dia 13 de Março de
1952, data em que foram trasladados para a Basílica da Cova da
Iria, lado nascente.
Francisco foi beatificado pelo Papa João
Paulo II em 13 de Maio de 2000. O seu dia festivo é 20 de
Fevereiro.
Desde o dia 1 de Maio de 2009, por
proclamação do Sr. D. Anacleto Oliveira, Presidente da
Comissão Episcopal de Liturgia, o Beato Francisco é o
Padroeiro Nacional dos Acólitos Portugueses.
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Santo António
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1195: Nasce em
Lisboa, filho de Maria e Martinho de Bulhões. É baptizado com o nome de
Fernando. Reside na frente da Catedral.
1202: Com sete anos
de idade, começa a frequentar a escola, um privilégio raro na época.
1209: Ingressa no
Mosteiro de S. Vicente, dos Cónegos Regulares de S. Agostinho, perto de
Lisboa. Torna-se agostiniano.
1211: Transfere-se para Coimbra, importante centro cultural, onde se
dedica de corpo e alma ao estudo e à oração, pelo espaço de dez anos.
1219: É ordenado
sacerdote. Pouco depois conhece os primeiros franciscano, vindos de
Assis, que ele recebe na portaria do mosteiro. Fica impressionado com o
modo simples e alegre de viver daqueles frades.
1220: Chegam a
Coimbra os corpos de cinco mártires franciscanos. Fernando decide
fazer-se franciscano como eles. É recebido na Ordem com o nome de Frei
António, enviado para as missões entre os sarracenos de Marrocos,
conforme deseja.
1221: Chegando a
Marrocos, adoece gravemente, sendo obrigado a voltar para sua terra
natal. Mas uma tempestade desvia a embarcação arrastando-a para o sul da
Itália. Desembarca em Sicília. Em Maio do mesmo ano participa, em Assis,
do capítulo das Esteiras, uma famosa reunião de cinco mil frades. Aí
conhece o fundador da Ordem, São Francisco de Assis. Terminado o
Capítulo, retira-se para o eremitério de Monte Paulo, junto dos
Apeninos, onde passa 15 meses na solidão contemplativa e no trabalho
braçal. Ninguém suspeita da sabedoria que aquele jovem frade português
esconde.
1222: Chamado de
improviso a falar numa celebração de ordenação, Frei António revela uma
sabedoria e eloquência extraordinárias, que deixam a todos estupefactos.
Começa sua epopeia de pregador itinerante.
1224: Em brevíssima
Carta a Frei António, São Francisco o encarrega da formação teológica
dos irmãos. Chama-o cortesmente de " Frei António, meu bispo".
1225: Depois de
percorrer a região norte da Itália, passa a pregar no sul da França, com
notáveis frutos. Mas tem duras disputas com os hereges da região.
1226: É eleito "
custódio" na França e, um ano depois, " provincial" dos frades no norte
da Itália.
1228: Participa, em
Assis, do Capítulo Geral da Ordem, que o envia a Roma para tratar com o
Papa de algumas questões pendentes. Prega diante do Papa e dos Cardeais.
Admirado de seu conhecimento das Escrituras, Gregório IX o apelida de
"Arca do Testamento".
1229: Frei António
começa a redigir os "Sermões", que hoje possuímos impressos em dois
grandes volumes.
1231: Prega em Pádua
a famosa Quaresma, considerada como o momento de refundação cristã da
cidade. Multidões acorrem de todos os lados. Há conversões e prodígios.
Êxito total! Mas Frei António está exausto e sente que seus dias estão
no fim. Na tarde de 13 de Junho, mês em que os lírios florescem, Frei
António de Lisboa morre às portas da cidade de Pádua. Suas últimas
palavras são: " Estou vendo o meu Senhor ". As crianças são as primeiras
a saírem pelas ruas anunciando: "Morreu o Santo".
1232: Não tinha bem
passado um ano desde sua morte, quando Gregório IX o inscreveu no
catálogo dos santos.
1946: Pio XIII
declara Santo António Doutor da Igreja, com o título de "Doutor
Evangélico".
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São Tarcísio
"Tarcísio era acólito na Igreja de
Roma, no ano 258, aproximadamente. Ele acompanhava o Papa Sisto II na Missa
(esse Papa morreria no mesmo ano, por ser cristão). Nessa época, a Missa era
celebrada nas catacumbas, devido às perseguições do imperador romano,
Valeriano. Quando os cristãos eram presos, quase sempre eram mortos, e era
costume levar a Eucaristia (às escondidas) para que eles não desanimassem e
nem perdessem a fé.
Um dia, às vésperas de um martírio
de cristãos, era preciso levar a Eucaristia a eles. O problema era a falta
de pessoas que o fizessem. Foi quando Tarcísio se ofereceu para tal serviço.
O Papa Sisto II e os demais cristãos que estavam nas catacumbas não
concordaram com a ideia, pois Tarcísio poderia ser morto. Tarcísio, porém,
argumentou que, por ser uma criança, ninguém desconfiaria dele. Afirmou,
ainda, que preferia morrer a entregar a Eucaristia aos pagãos romanos.
Após ter dito isso, o seu nome foi
aceite.
- Vai, Tarcísio – exclamou o Papa.
- Aqui estão as hóstias consagradas. Aqui está Jesus, que irás levar aos
nossos irmãos prisioneiros. Que Ele te acompanhe. Vai, meu filho!
O pequeno acólito subiu as escadas
sombrias do subterrâneo e chegou à superfície. Parece que ninguém reparou
naquele menino que caminhava um tanto fora da rua, com as mãos sobre o
peito, guardando o bem mais precioso: A Sagrada Eucaristia.
Passando por um caminho, chamado de
VIA ÁPIA, alguns miúdos chamaram Tarcísio.
- Vem brincar connosco. Falta um
para começar o jogo.
- Agora não posso. Vou levar um
recado urgente. Na volta, sim.
- Queremos agora... Mas o que vai
levas aí? Mostra-nos logo.
Ele recusou. Os miúdos insistiram,
ameaçaram, empurraram. Ele resistia porque, pagãos como eram, poderiam
profanar as sagradas espécies.
A resistência fez aumentar a
curiosidade dos miúdos. Começaram a dar-lhe pontapés e pedradas. O menino
caiu no chão, ensanguentado. As mãos continuavam a proteger a Santa
Eucaristia.
Foi quando parou ali um soldado,
guarda do quarteirão. Era Quadrato que, às escondidas, costumava frequentar
o culto dos cristãos. Os miúdos fugiram ao ver o soldado aproximar-se.
Levantando do chão o pequeno mártir, exclamou surpreso e comovido:
- É o Tarcísio. Já vi esse menino
nas catacumbas...
O pequeno mártir morreu nos braços
do soldado, com as mãos apertando ainda a Santa Eucaristia contra o peito."
Esta é a história de Tarcísio: o
pequeno acólito que, desde muito cedo amou Jesus Cristo na Sagrada
Eucaristia, e é, para nós hoje, um exemplo a ser seguido.
O
dia de São Tarcísio, padroeiro dos Acólitos, é comemorado a 15 de Agosto!
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São
Vicente de Saragoça, Inspiração ao Brasão de Lisboa
São Vicente de Saragoça, ou São Vicente de Fora, nasceu em Huesca, em Aragão
(actual Espanha). Não se sabe a data do seu nascimento, os relatos apontam a
sua existência de vida no fim do século III e início do século IV. A
história deste santo chegou aos dias de hoje mais em forma de lenda do que
em dados documentais. Reza a lenda que Vicente teria deixado Huesca ainda
criança para viver em Saragoça.
São Vicente foi contemporâneo do imperador romano Diocleciano. Roma estendia
o seu vasto império até a península Ibérica. Durante o seu reinado,
Diocleciano reabilitou as velhas tradições romanas, incentivando o culto dos
deuses antigos, proibindo o culto do cristianismo, iniciando aquela que
seria vista pelos historiadores como a penúltima perseguição do Império
Romano ao cristianismo. Em Fevereiro de 303, Diocleciano promulgou um édito
imperial que ordenava a destruição geral de igrejas e objectos de culto dos
cristãos, ordenou que toda a população do Império fizesse sacrifícios aos
deuses romanos. Durante esta perseguição aos cristãos, Vicente, devotado
cristão, recusou-se a obedecer às ordens imperiais de oferecer sacrifícios
aos deuses pagãos. Por sua recusa, teria sido cruelmente martirizado até a
morte, em 304. Após o martírio, o corpo de Vicente teria sido atirado aos
animais, mas foi protegido por um corvo de ser devorado. Esta protecção
teria sido vista pelos cristãos como um milagre, foi-lhe erguida em
homenagem, uma igreja, e Vicente passou a ser cultuado como santo.
Com o fim do Império Romano, a Península Ibérica
sofreu a invasão dos mouros. Durante a época desta invasão, os muçulmanos,
em 713, puseram o corpo de São Vicente em um barco e o deixaram à deriva no
mar. O barco, levando as relíquias do martirizado, foi dar ao
Promontorium Sacrum (Promontório
Sacro, Cabo de Sagres, Portugal), que se passou a chamar Cabo de São
Vicente. Os cristãos que aí viviam sob o domínio dos mouros, recolheram o
corpo, transportando-o para uma ermida erguida em sua homenagem. Durante
alguns séculos o culto a São Vicente alastrou-se por todo o território que
seria futuramente o reino de Portugal.
Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal,
foi quem decidiu resgatar o corpo de São Vicente aos sarracenos, que
dominavam Sagres nessa época. Sob as ordens de Dom Afonso Henriques, as
relíquias do santo foram levadas para Lisboa. Diz a tradição da lenda que,
quando o corpo seguiu no barco, dois corvos o acompanharam a velar-lhe. As
relíquias, transferidas de Sagres para uma igreja fora das muralhas de
Lisboa, geraram uma intensa veneração dos habitantes daquela cidade por São
Vicente, que em 1173, foi proclamado o santo padroeiro de Lisboa. O corvo,
ave da lenda do santo martirizado em Valência, foi adoptado como símbolo do
brasão de Lisboa, permanecendo até os dias actuais.
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Santo Agostinho
Aurélio Agostinho
nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de
Novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o baptismo pouco
antes de morrer; sua mãe, Mónica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa,
e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago,
a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se
moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das
maiores consequências do pecado original; dominou-o longamente, moral e
intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía
realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste
dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por consequência, uma
justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em
Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se
definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de
saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual.
Entrementes, depois de
maduro exame crítico, abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia
neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do
mal. Destarte chegara a uma concepção cristã da vida - no começo do ano 386.
Entretanto a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria.
Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e
absoluta, no mês de Setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao
mundo, à carreira, ao matrimónio; retira-se, durante alguns meses, para a
solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns
discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na
Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu
o baptismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloquência
muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade.
Depois da conversão,
Agostinho abandona Milão, e, falecida a mãe em Óstia, volta para Tagasta. Aí
vendeu todos os haveres e, distribuído o dinheiro entre os pobres, funda um
mosteiro numa das suas propriedades alienadas. Ordenado padre em 391, e
consagrado bispo em 395, governou a igreja de Hipona até à morte, que se deu
durante o assédio da cidade pelos vândalos, a 28 de Agosto do ano 430. Tinha
setenta e cinco anos de idade
Agostinho foi canonizado
por reconhecimento popular e reconhecido como um doutor da Igreja.
Ele é considerado o santo
padroeiro dos cervejeiros, impressores, teólogos e de um grande número de
cidades e dioceses.
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S. Francisco de Assis
1181 ou 1182 - Francisco
nasce, em Assis, Itália, filho de Pedro Bernardone, mercador de tecidos, e
de Donna Pica. Recebeu, no baptismo, ocorrido na catedral de S. Rufino, o
nome de João, que seu pai, ao regressar da Provença, mudou para Francisco (Francesco
ou Francês), em homenagem à França, aonde ia abastecer-se de panos.
1200 - Francisco é aclamado
Rei da Juventude e, juntamente com a corte dos amigos, passa a vida em
festas, banquetes, serenatas, guitarradas e canções, à porta das belas moças
de Assis. O pai encanta-se com a fama do filho, que lhe dá grande esperanças
de continuador dos seus negócios.
1202 - Francisco participa
na guerra entre Assis e a vizinha Perusa. Assis é derrotada e Francisco fica
preso, em Perusa, durante um ano. Na prisão anima os companheiros com sua
alegria e canções de liberdade.
1204 - Ansioso de glória,
Francisco alista-se nas hostes de Gualter de Brienne e parte, numa expedição
de Assis, para a Apúlia, a libertar territórios do Papa Inocêncio III.
Quando cavalgava para o campo de batalha, um sonho, tido em Espoleto,
durante a noite, fá-lo regressar a Assis, onde começa a levar vida retirada,
que provoca uma viragem no seu ideal.
1205 - Francisco ouve do
crucifixo da igreja de S. Damião esta fala: "Francisco vai reparar a minha
igreja que está a cair em ruínas!". Pedro Bernardone desagrada-se desta
mudança do filho e move-lhe violenta oposição, enquanto a mãe se mostra mais
compreensiva e pacificadora. O pai prende Francisco num cubículo gradeado,
mas a mãe, na ausência paterna, abre-lhe as grades.
1206 - Francisco despe a
roupa no tribunal do Bispo de Assis, e entrega-a ao pai, exclamando: "Até
hoje chamei pai a Pedro Bernardone; doravante, poderei dizer deveras: Pai
Nosso que estais nos céus!" O bispo envolve Francisco nu na sua capa e este
sai de Assis rumo à sua vida nova, começando a reparar a igrejinha de S.
Damião.
1206 a 1208 - Francisco
reconstrói as igrejinhas de S. Damião, S. Pedro e Santa Maria dos Anjos da
Porciúncula.
1209 - Francisco dirige-se a Roma, com onze
companheiros, e obtém do Papa Inocêncio III a aprovação oral da sua Regra e
da sua Forma de Vida de Frades Menores.
1209 ou 1210 - Francisco
funda a Ordem dos Irmãos e Irmãs da Penitência, depois chamada Ordem
Terceira de São Francisco (Tertius Ordo Franciscani - TOF ) e, hoje,
denominada Ordem Franciscana Secular (OFS ).
1212 - Clara Favarone,
menina de Assis, onde nasceu, a 16 de Julho de 1193 ou 1194, é recebida por
Francisco, na noite do Domingo de Ramos, em Santa Maria dos Anjos da
Porciúncula, dando, assim, início à Ordem das Clarissas ou das Senhoras
Pobres de Assis.
1213 - Francisco aceita o Monte Alverne, oferecido pelo Conde Orlando de
Chiusi para que nele construa um ermitério e ali se possa entregar à oração.
Monte Alverne é um dos lugares altos da vida e espiritualidade de Francisco.
Ali, recebeu a impressão das chagas do Crucificado.
1216 - Francisco obtém do
Papa Honório III a indulgência da Porciúncula, a igrejinha Mãe da nova
Família Religiosa.
1219 - Francisco vai ao
Próximo Oriente, onde os cristãos europeus movem guerra aos Muçulmanos, para
libertarem os Lugares Santos. Dando início ao diálogo inter-religioso e ao
espírito ecuménico, é recebido benevolamente pelo Sultão do Egipto, prediz a
derrota dos cristãos e visita a terra de Jesus.
1221 - Francisco obtém do
Papa Honório III a aprovação da Regra dos Irmãos e Irmãs da Penitência,
dita, hoje, Ordem Franciscana Secular.
1223 - O Papa Honório III
aprova a Regra definitiva ou Regra bulada ( 2 R ) da Ordem dos Frades
Menores ( OFM ). Francisco celebra, na noite de 24 para 25 de Dezembro, a
festa de Natal, em Greccio, aldeia do Vale de Rieti, na propriedade do seu
amigo, João de Velita, que, ali, armou o primeiro presépio. Francisco
oficiou de diácono na missa.
1224 - Francisco tem a visão do Serafim alado, em Setembro, no Monte Alverne,
recebendo, no seu corpo, as chagas de Cristo Crucificado.
1224 e 1225 - Montado num
jumento, prega pela Úmbria e pelas Marcas de Ancona.
1225 - Visita Clara, em S. Damião. Os tratamentos que lhe fazem não surtem
efeito. Fica internado em S. Damião. Ali, alquebrado, esmagado de dores e
quase cego, compõe e canta, em Abril ou Maio, o Cântico do Irmão Sol ou das
Criaturas. Em Julho, dirige-se a Rieti para novo tratamento e é acolhido
pelo Cardeal Hugolino, seu grande amigo. No mês de Agosto o médico
cauteriza-lhe as fontes, aplicando-lhe um ferro em brasa, sem resultados.
Volta a Rieti, em Setembro, e, em La Foresta, renova a vinha do padre local,
agastado com a devastação operada pelos admiradores e devotos de Francisco.
1226 - Francisco vive em Rieti, em Fonte Colombo e em Sena. Em Maio ou Junho
regressa à Porciúncula. Em Agosto ou Setembro vai ao palácio do bispo D.
Guido para se tratar. A seu pedido, é levado para a Porciúncula, e, no
caminho, lançado a bênção à sua cidade de Assis. Na Porciúncula dita o
Testamento. No dia 3 de Outubro, ao sol-posto, morre, rodeado dos Irmãos,
banhados em lágrimas. No dia 4 é sepultado na igreja de São Jorge.
1228 - No dia 16 de Julho,
Francisco é canonizado pelo Cardeal Hugolino, Protector da Ordem e seu
grande amigo, agora, papa, com o nome de Gregório IX.
1230 - No dia 25 de Maio, os
restos mortais do Pai da Família Franciscana são trasladados para a nova
Basílica de São Francisco de Assis.
João
Loureiro
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Santa Clara de Assis, viveu
oitocentos anos atrás e sempre foi bastante conhecida nos ambientes
franciscanos. Sabia-se que era uma contemporânea e companheira de São
Francisco de Assis, fundadora da Segunda Ordem Franciscana, a das Irmãs
Clarissas.
Irmã Clara de Assis e as
Senhoras Pobres
O estilo de vida de Francisco não poderia ser privilégio dos homens. Muitas
mulheres escutavam sua pregação, observavam seu estilo de viver o Evangelho
e também queriam essa oportunidade. Uma delas foi Clara.
Nasceu Clara em torno de 1193
em Assis, filha de Ortolana di Fiumi e Faverone Offreduccio. Recebera da mãe
uma sólida religiosidade e do pai a força de carácter. Tinha mais três irmãs
e um irmão. A mais nova era Inês. Francisco a conhecia de vista, pois em
Assis todos se conheciam. Admirava nela os longos cabelos dourados e seus
olhos decididos. Quando queria uma coisa, era porque queria.
Aos 18 anos, Clara ouviu Francisco pregar os sermões da Quaresma na igreja
de São Jorge, em Assis. As palavras dele inflamaram tanto seu coração, que o
procurou em segredo, pois também ela desejava viver "segundo a maneira do
Santo Evangelho".
Francisco lhe falou sobre o desprezo do mundo e o amor de Deus, e
fortaleceu-lhe o desejo nascente de abandonar tudo por amor a Cristo.
Encerrou a conversa dizendo: "Quero contar-te um segredo, Clara: desposei a
Senhora Pobreza e quero ser-lhe fiel para sempre". Clara respondeu que
"queria viver a mesma vida, a mesma oração e sobretudo a mesma pobreza".
Acompanhada de Bona di Gueifuccio, amiga íntima, para escutar Francisco
passou a frequentar a capela da Porciúncula. Estava decidida a viver o
Evangelho ao pé da letra. Mas, como sair de casa? Francisco e os irmãos
ensinaram-lhe o modo.
O dia 18/19 de Março de 1212 era Domingo de Ramos. Rica e belamente vestida,
Clara participou da Missa da manhã. Não havia meio de sair desapercebida do
castelo de seus pais, mas encontrou a única saída possível pela porta de
trás do palacete: a saída dos mortos. Toda casa medieval tinha esta saída,
por onde passava o caixão dos defuntos.
À noite, quando todos dormiam, a nobre jovem Clara de Favarone fugiu de casa
por esse buraco, percorrendo uma milha fora da cidade, até chegar à
Porciúncula, onde foi recebida com muita festa pelos irmãos franciscanos,
que tinham ido ao seu encontro com tochas acesas e a acompanharam até à
porta da igreja.
Ali se desfez das vestes
elegantes e São Francisco, com uma grande tesoura, lhe cortou os cabelos,
causando-lhe dó cortar tão maravilhosa cabeleira. Em seguida, deu-lhe o
hábito da penitência: uma túnica de aniagem amarrada em volta por uma corda
e um par de tamancos de madeira. Clara se consagrou pelos três votos:
pobreza, obediência e castidade.
Os familiares, enfurecidos, foram procurá-la. Entrando na capela, viram
Clara agarrada ao pé do altar Puxaram-na com tanta força que arrancaram o
véu, percebendo então a cabeça raspada. Concluíram que nada mais poderiam
fazer Não conseguiriam mudar-lhe a ideia.
Como Francisco não tinha convento para freiras, irmã Clara ficou alguns dias
no mosteiro de São Paulo e algumas semanas no mosteiro beneditino de Panzo.
Por fim, recolheu-se a São Damião, numa casa pobre contígua à capela, onde
ficou até à sua morte em 1253. Seguiu-a na vocação a irmã Inês, 16 dias
depois, e mais tarde sua irmã Beatriz e a mãe Ortolana.
A obra tornou-se conhecida e diversas mulheres e jovens vieram fazer-lhe
companhia. Ficaram conhecidas como as Senhoras Pobres, ou Irmãs Clarissas.
Em pouco tempo, havia mosteiros em diversas localidades da Itália, França,
Alemanha. Inês, filha do rei da Boémia também fundou um convento em Praga, e
ela mesma tomou o hábito.
As Senhoras Pobres e a pobreza
Clara e sua comunidade praticavam austeridades desconhecidas entre as
mulheres da época: não usavam meias, sapatos, ou qualquer outra protecção
para os pés. Dormiam no chão: a cama era um monte de baraços de videira e o
travesseiro uma acha de lenha. Observavam a abstinência completa de carnes,
e falavam apenas quando obrigadas pela necessidade e pela caridade. Clara
aconselhava o silêncio como meio de evitar os pecados da língua e de
conservar a mente sempre concentrada em Deus. Jejuava tanto que Francisco
teve de obrigá-la a não passar um dia sequer sem comer ao menos um pedaço de
pão. Clara mesmo percebeu seu exagero e mais tarde escreveu para Inês da
Boémia: "Nossos corpos não são feitos de bronze e nossas forças não são
iguais à da pedra; por isso vos imploro, no Senhor, que vos abstenhais desse
rigor excessivo da abstinência que praticais".
Como Francisco, Clara não aceitava qualquer propriedade. Quando o Papa
Gregório IX lhe ofereceu uma renda, Clara protestou veementemente, dizendo:
"Eu preciso ser absolvida dos meus pecados, mas não desejo ser absolvida da
obrigação de seguir a Jesus Cristo". Em 1228, o Papa lhe concedeu o
"Privilégio da Pobreza". Tinha sido um pedido insistente de Clara. Na Cúria
romana, onde se pediam privilégios de títulos, propriedades, honrarias,
causou até espanto alguém pedindo o "privilégio de ser pobre". Clara e
Francisco conheciam a alma do mundo e sabiam que qualquer excepção à regra
da pobreza desencadearia sua negação. Francisco o exemplificou com o caso do
livro que um frade queria ter: primeiro se quer um livro, depois mais
livros, depois uma estante, vem uma biblioteca, segue-se uma casa para
guardá-la e, adeus pobreza evangélica.
Mais tarde, em 1247, o papa Inocência IV queria impor às Senhoras Pobres uma
Regra que de certo modo permitisse a propriedade comum. Preocupada, Clara
mesma redigiu uma Regra, lembrada de tudo o que vira e aprendera com
Francisco. E pede, por amor de Deus, que concedam ao Convento de São Damião
o "Privilégio da Pobreza". Esta Regra foi aprovada dois dias antes de sua
morte, valendo o privilégio para São Damião. Para os outros conventos,
permitiu-se uma espécie de propriedade comum.
Francisco e Clara, amizade de
Santos
Obra de Clara estava sempre no coração de Francisco. Muitas vezes ele enviou
doentes e enfermos que ela conseguia curar à força de delicados cuidados.
Apesar de sua humildade, Francisco era obrigado a reconhecer a grande
admiração que Clara e as outras irmãs tinham por ele. Era uma admiração
espiritual, mas também humana. Para evitar qualquer tipo de dependência e
para deixá-las totalmente livres dele, passou a visitá-las cada vez mais
raramente. As irmãs sofriam sua ausência e alguns frades acharam que isso
era falta de caridade, mas Francisco disse que a finalidade da ausência era
"no futuro não haver nenhum intermediário entre Cristo e as irmãs".
Após longa ausência e depois de muitos pedidos das irmãs, num dia Francisco
aceitou ir pregar em São Damião. Entrou na igreja e ficou um momento de pé,
rezando de olhos levantados para o céu. Depois pediu um pouco de cinza. Com
ela desenhou um círculo à sua volta e o resto passou na cabeça. E então
rompeu o silêncio, não para pregar, mas para rezar o Salmo da Penitência (Si
50). Depois foi embora, feliz por ter ensinado à Clara e às irmãs que nada
mais podiam ver nele do que um pecador que fazia penitência.
Em Março de 1225, já muito doente, Francisco visitou Clara em São Damião e
manifestou o desejo de ali permanecer, mas a doença exigia tratamentos em
outros lugares. Foi ali, sofrendo terrivelmente com a doença e o barulho dos
ratos que lhe impediam o sono, que explodiu num hino de alegria ao Criador,
o "Cântico do Irmão Sol". Foi no jardinzinho de Clara, e pela última vez,
que os dois conversaram. No ano seguinte morreu o pai Francisco e Clara
viveu mais 27 anos na paz e na saudade de Francisco.
Clara de Assis, mãe e adoradora
A si própria Clara gostava de se denominar "uma plantinha do bem-aventurado
pai Francisco". Ela nunca deixou os muros do convento de São Damião.
Designada abadessa (superiora) por Francisco, em 1215, Clara dirigiu o
convento durante 40 anos. Sempre quis ser serva das servas, submissa a todas
e beijando os pés das irmãs leigas quando regressavam do trabalho de
esmolar, servindo à mesa, assistindo aos que estivessem doentes. Enquanto as
irmãs descansavam, ela ficava em oração e as cobria, caso as cobertas lhes
caíssem. Saía da oração com o semblante tão iluminado que chegava a ofuscar
a vista das que a olhavam. Falava com tanto fervor que chegava a inflamar os
que mal ouviam sua voz.
A exemplo de Francisco, nutria fervorosa devoção ao Santíssimo Sacramento.
Mesmo quando estava doente e acamada (esteve sempre doente nos últimos 27
anos de vida), ficava confeccionando belos corporais e toalhas para o
serviço do altar, que depois distribuía pelas igrejas de Assis.
A força e a eficácia poderosa de sua oração pode ser sentida em 1244, quando
o imperador Frederico II atacou o vale de Espoleto, tendo a seu serviço um
exército de sarracenos. Lançaram-se ao saque de Assis, e como São Damião
ficava fora dos muros, resolveram começar por ali. Embora muito doente,
Clara fez colocar o Santíssimo num ostensório, bem à vista do inimigo. E
Clara orou com grande fervor, pedindo a Cristo que salvasse suas irmãs do
saque e do estupro. Em seguida, orou pela cidade de Assis. No mesmo
instante, o terror se apoderou dos assaltantes, que fugiram em debandada.
A morte de
uma Santa
Clara suportou os longos anos de enfermidade com sublime paciência. Em 1253,
teve início uma longa e interminável agonia. O papa Inocêncio IV deu-lhe
duas vezes a absolvição com o perdão dos pecados, e comentou: "Queira Deus
que eu necessitasse de perdão tão pouco assim". Doente e pobre, as mais
altas autoridades da Igreja sentiam sua sabedoria e santidade e vinham
aconselhar-se com ela em São Damião.
Durante os últimos 17 dias não conseguiu tomar nenhum alimento. A fé e a
devoção do povo aumentavam cada vez mais. Diariamente cardeais e prelados
chegavam para visitá-la, pois todos tinham certeza de que era uma santa que
estava para morrer.
Irmã Inês, sua irmã, estava presente, bem como os três companheiros de
Francisco, os freis Leão, Ângelo e Junípero. Vendo que a vida de Clara
estava chegando ao fim, emocionados, leram a Paixão de Jesus segundo João,
como tinham feito 27 anos antes, na morte de Francisco.
Clara consolou e abençoou suas filhas espirituais. E, para si, disse:
"Caminhais pois tens um bom guia. ó Senhor, eu vos agradeço e bendigo pela
graça que vos conceder-me de poder viver". E foi recebida na corte celeste.
Era Senhora Pobre e tinha 60 de vida.
Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV canonizou-a em Anagni. Era o
ano de 1255.
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São
Maximiliano Maria Kolbe
Maximiliano Maria Kolbe
nasceu no dia 8 de Janeiro de 1894, na Polónia, e foi baptizado com o nome
de Raimundo. Sua família era pobre, de humildes operários, mas muito rica de
religiosidade. Ingressou no Seminário franciscano da Ordem dos Frades
Menores Conventuais aos treze anos de idade, logo demonstrando sua
verdadeira vocação religiosa.
No colégio, foi um
estudante brilhante e actuante. Na época, manifestou seu zelo e amor a Maria
fundando o apostolado mariano "Milícia da Imaculada". Concluiu os estudos em
Roma, onde foi ordenado sacerdote, em 1918, e tomou o nome de Maximiliano
Maria. Retornando para sua pátria, leccionou no Seminário franciscano de
Cracóvia.
O carisma do apostolado de
padre Kolbe foi marcado pelo amor infinito a Maria e pela palavra: imprensa
e falada. A partir de 1922, com poucos recursos financeiros, instalou uma
tipografia católica, onde editou uma revista mariana, um diário semanal, uma
revista mariana infantil e uma revista em latim para sacerdotes. Os números
das tiragens dessas edições eram surpreendentes. Mas ele precisava de algo
mais, por isso instalou uma emissora de rádio católica. Chegou a estender
suas actividades apostólicas até o Japão. O seu objectivo era conquistar o
mundo inteiro para Cristo por meio de Maria Imaculada.
Mas teve de voltar para a
Polónia e cuidar da direcção do seminário e da formação dos novos religiosos
quando a Segunda Guerra Mundial estava a começar. Em 1939, as tropas nazis
tomaram a Polónia. Padre Kolbe foi preso duas vezes. A última e definitiva
foi em Fevereiro de 1941, quando foi enviado para o campo de concentração de
Auschwitz.
Em Agosto de 1941, quando
um prisioneiro fugiu do campo, como punição foram sorteados e condenados à
morte outros dez prisioneiros. Um deles, Francisco Gajowniczek, começou a
chorar e, em alta voz, declarou que tinha mulher e filhos. Padre Kolbe, o
prisioneiro Nº 16.670, solicitou ao comandante para ir em seu lugar e ele
concordou.
Todos os dez, despidos,
ficaram numa pequena, húmida e escura cela dos subterrâneos, para morrer de
fome e sede. Depois de duas semanas, sobreviviam ainda três com padre Kolbe.
Então, foram mortos com uma injecção venenosa, para desocupar o lugar. Era o
dia 14 de Agosto de 1941.
Foi beatificado em 1971 e canonizado pelo papa João Paulo II em 1982. O dia
14 de Agosto foi incluído no calendário litúrgico da Igreja para celebrar
são Maximiliano Maria Kolbe, a quem o papa chamou de "padroeiro do nosso
difícil século XX". Na cerimónia de canonização estava presente o
sobrevivente Francisco Gajowniczek, dando testemunho do heroísmo daquele que
se ofereceu para morrer no seu lugar.
No primeiro fim-de-semana
de Outubro celebra-se a festa de são Maximiliano Maria de Kolbe.
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São Domingos de Gusmão,
O.P.
(Caleruega, Reino de Castela, 24 de Junho de 1170 -
Bolonha, 6 de Agosto de 1221). Fundador da Ordem Dominicana.
Filho de Joana de Aza e Félix de Gusmão, Domingos nasceu
na zona de fronteira do Reino de Castela. Seus pais pertenciam à pequena
nobreza guerreira, encarregue de assegurar as praças militares da fronteira
com o sul dominado ainda pelos muçulmanos.
Domingos, que teve desde cedo inclinação para a vida
religiosa, vai em 1189 estudar para Palência, tornando-se, após a conclusão
dos estudos membro em 1196, do cabido da sua Diocese natal, Osma.
Em 1203, o rei de Castela solicita ao bispo de Osma que
este fosse negociar e trazer uma princesa da Dinamarca para se tornar esposa
do seu filho, tendo Domingos sido companheiro de viagem do seu bispo, Diogo.
Durante a viagem, Domingos ficou para sempre impressionado com o
desconhecimento da doutrina cristã dos povos da Europa do norte,
tornando-se-lhe evidente que se tornava necessário ir evangelizar aqueles
povos, em especial um com que certamente contactou, os cumanos.
Em 1205, Domingos e Diogo, para conclusão do objectivo
inicial, realizaram nova missão ao norte da Europa, tendo também efectuado
uma peregrinação a Roma e a Cister. No sul de França, junto a Montpellier,
encontraram legados do Papa que pregavam contra as heresias dos Albigenses e
Cátaros. Estes dois grupos, defendiam uma vida apostólica, baseada na vida
de Cristo e dos primeiros apóstolos. Um modo de vida simples, sem
hierarquias que em tudo contrastava com o cerimonial, as hierarquias e poder
financeiro e político de grande parte das estruturas da Igreja do seu tempo.
Tiveram grande adesão popular em virtude do seu carisma e honestidade de
vida. No entanto, tornaram-se heréticos, ao defenderem ideias contrárias aos
fundamentos da Igreja, razão pela qual o Papa entendeu intervir, enviando
delegados seus por forma a catequizar, pregar, converter e denunciar os
erros dos heréticos.
Diogo e Domingos, perante a evidência das dificuldades
sentidas na missão dos legados papais, convencem-nos a adoptar uma
estratégia de simplicidade ao estilo apostólico e mendicante, pois que os
Legados, até aí, deslocavam-se com grande pompa, criados, e riquezas. Os
Legados deixam-se convencer, despachando para casa tudo o que fosse
supérfluo, na condição que Diogo e Domingos os acompanhassem e os dirigissem
na missão. O que estes fizeram. O Papa Inocêncio III, descobrindo
virtualidades nesta novo forma de pregação, aprova a mesma e mandata Diogo e
Domingo para a “santa pregação”. Diogo, sendo bispo, por razão das
suas responsabilidades e não podendo ficar muito mais tempo naquela região e
regressou à sua diocese, falecendo pouco tempo depois. Domingos continuou na
região, muitas vezes sozinho.
A pregação e o início da Ordem
Em 1206, um grupo de mulheres por si convertida do
catarismo pedem-lhe apoio e ele encontra uma casa para elas morarem em
Prouille, dá-lhes uma regra de vida, simples, de oração e reclusão, no que
veio a ser a primeira comunidade religiosa dominicana de monjas de clausura.
Domingos encarava esta comunidade como “ponto de apoio à santa pregação”,
pois que aquelas religiosas, por intermédio da oração, seriam o apoio dos
pregadores. Em 1208 encontra-se completamente sozinho na missão de pregar
pelas localidades do sul de França. Em 1210 está na região de Toulouse,
palco de violentos combates entre senhores feudais e heréticos cátaros.
Em 1214 está em Carcassonne onde assiste a duras batalhas
entre as duas partes e onde começa a juntar um pequeno grupo de companheiros
que com ele adoptam a vida de pregadores itinerantes. No mesmo ano, torna-se
pároco de Fanjeaux, localidade junto a Prouille e à sua comunidade feminina.
Em 1215, em Toulouse adopta uma regra de vida para a sua
comunidade de pregadores, obtendo a aprovação do Bispo local. No entanto, o
seu objectivo era criar uma ordem religiosa que não ficasse restrita a uma
local, a uma diocese, mas sim que tivesse um mandato geral, por forma a
poder actuar em todos os territórios onde fosse necessário a evangelização.
Dirige-se nesse mesmo ano a Roma, onde decorria o Concílio de Latrão por
forma a obter o reconhecimento da sua Ordem. No entanto, o concílio, perante
tantos e diferentes novos movimentos que surgiram um pouco por todo lado, e
por forma a evitar a anarquia, decide proibir que sejam aceites novas ordens
religiosas.
Aconselhado pelo Papa, e de regresso a Toulouse, Domingos
e os seus companheiros estudam as várias Regras de vida religiosa já
existentes e optam pela Regra de Santo Agostinho. Entretanto, o Papa
Inocêncio III morre e Honório III torna-se Papa, sendo um admirador e amigo
de Domingos e dos seus pregadores. Em 1216, Domingos volta a Roma com a sua
Regra e a seu pedido, o Papa pede à Universidade de Paris o envio para
Toulouse de alguns professores destinados ao ensino e à pregação.
Entretanto, o Papa confirma a regra da Ordem dos Pregadores como religiosos
“totalmente dedicados ao anúncio da palavra de Deus”. Logo após o
reconhecimento da Ordem, Domingos envia os seus primeiros discípulos, dois a
dois, a fundar novas comunidades em Paris, Bolonha, Roma e a Espanha.
Domingos acreditava que apenas o estudo profundo da sagrada escritura
poderia dar os meios necessários para uma pregação eficaz. Assim, envia os
seus irmãos para as principais cidades universitárias do seu tempo, por
forma a não só adquirem os conhecimentos necessários, como para agirem e
recrutarem novos membros entre as camadas estudantis e intelectuais do seu
tempo.
A fundação da Ordem
Em 1218 Domingos está em Roma, a visitar as novas casas,
dirigindo-se depois para a Península Ibérica onde um dos seus primeiros
companheiros, o português Soeiro Gomes tinha fundado algumas casas. No
principio de 1219, Domingos vai a Paris e posteriormente volta a Itália.
Em 1220 reúne em Bolonha o primeiro Capítulo da Ordem,
fazendo-se algumas alteração às respectivas constituições canónicas, estando
presentes dezenas de frades vindos de muitos pontos distantes da Europa. É
adoptado o modelo de governo democrático, pelo qual todos os superiores de
casas são eleitos por todos os membros da comunidade. Em 1221 funda em Roma
o convento de monjas de São Sisto e realiza o segundo Capítulo da Ordem no
qual esta passou a estar organizada em “províncias”. O modelo
democrático estende-se a toda a Ordem, mediante o qual para cada Capítulo
Geral participam por direito os Priores Provinciais e delegados eleitos por
todas as comunidades, sendo que o Mestre Geral da Ordem é também eleito. São
enviados irmãos pregadores para Inglaterra, Escandinávia, Polónia, Hungria e
Alemanha.
Completamente desgastado pelo esforço, morre a 6 de
Agosto, em Bolonha. É canonizado em 1234.
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